Unidade e Grande Comissão: quando o mundo nos observa
O EVANGELHO EM PORTUGALIGREJA SAUDÁVELMISSÃO E LIDERANÇA GLOBAL
Beatriz Jerónimo
12/12/20255 min read


Unidade e Grande Comissão
Quando o mundo nos observa
A Grande Comissão como ponto de partida
A grande maioria dos cristãos está familiarizada com a “Grande Comissão” que Jesus deixou aos seus discípulos após a ressurreição:
“ Então Jesus aproximou-se deles e declarou: «Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos. Batizem-nos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo quanto eu tenho mandado. E saibam que estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.»” (Mateus 28:18-20)
Este mandamento não se restringiu aos discípulos originais, antes é uma missão confiada a todas as gerações de cristãos: “Vão e façam discípulos por todo o mundo.”
Apesar da simplicidade da ordem, será que temos dado a atenção que ela merece?
Um só corpo vivido na prática
A unidade na Igreja consiste em unir esforços para formar algo maior. É reconhecer que somos mais fortes juntos do que individualmente e desfrutar da comunhão uns com os outros. Esta unidade não acontece automaticamente; tal como em qualquer relacionamento, é necessário trabalhar continuamente para a construir e a manter.
A Bíblia ensina que a Igreja não é um conjunto de indivíduos isolados, mas um corpo vivo, unido a Cristo e cooperando em conjunto na missão do Evangelho. Paulo descreve esta realidade de forma clara: “num mesmo corpo há vários membros e cada um tem a sua função. Assim também nós, que somos muitos, formamos um só corpo em união com Cristo e estamos unidos uns aos outros como membros do mesmo corpo.” (Romanos 12:4-5)
Jesus é o exemplo máximo de como devemos cooperar como um só corpo. Ele ensinou os seus discípulos a viver em comunhão, a servir-se uns aos outros e a colocar o bem da comunidade acima dos interesses pessoais. Antes de regressar ao céu, orou para que todos os seus seguidores se tornassem um só.
A cooperação cristã significa trabalhar juntos, cada um contribuindo para o bem do corpo de Cristo, servindo com o seu conjunto único de dons e talentos. Não se trata de eliminar diferenças, mas de colocar os interesses da comunidade e a missão de Cristo acima do interesse individual.
Mas como podemos alcançar a união e aprender a viver em cooperação? As Escrituras apontam cinco alicerces essenciais:
PERDÃO
“Ajudem-se uns aos outros, e se alguém tiver alguma razão de queixa contra outro, deve perdoar-lhe. Assim como o Senhor vos perdoou, também se devem perdoar uns aos outros.” (Colossenese 3:13)AMOR
“Queridos amigos, amemo-nos uns aos outros porque o amor vem de Deus. Todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece-o. Aquele que não ama não conhece a Deus, uma vez que Deus é amor.” (1 João 4:7, 8)
Amamos uns aos outros não porque é fácil, mas porque fomos amados primeiro e porque sem amor, não é possível haver união nem cooperação.PACIÊNCIA
Hebreus 10:24-25 ensina-nos a estimular uns aos outros ao amor e às boas obras, encorajando-nos mutuamente e mantendo a comunhão.
● HUMILDADE
Filipenses 2:3 instrui-nos a não agir por egoísmo ou vaidade, mas a considerar os outros superiores a nós mesmos. Sem humildade, cada membro olha apenas para os seus interesses e a cooperação torna-se impossível. Numa comunidade saudável, cada elemento procura fortalecer o corpo como um todo.● IGUALDADE
Gálatas 3:28 afirma que, em Cristo, não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; todos são um só. A nossa união deve nascer quando cada membro se reconhece como parte do mesmo corpo: a igreja de Cristo.
Para além dos elementos mencionados acima, existe também um grande poder na adoração e oração conjunta. Partilhar pedidos de oração, interceder uns pelos outros e reunir-se em fé fortalecem a unidade e manifestam o poder de Deus na vida de cada crente e da comunidade como um todo. Quando vivemos assim, a Igreja torna-se um testemunho vivo do Evangelho.




Quando a igreja é vista como UMA só
Cumprir a Grande Comissão exige, então, que a Igreja mostre ao mundo uma comunidade que viva o amor de Cristo de forma visível. Cada membro tem um papel específico, mas todos cooperam em torno do mesmo objetivo: glorificar a Deus, servir o próximo e proclamar o Evangelho.
No fim, a mensagem é clara: assim como Deus é um, nós também somos chamados a ser um em Cristo e termino com um testemunho que ouvi há mais de 10 anos atrás.
O Secretário Geral da Sociedade Bíblica do Paquistão estava a fazer uma visita a alguns parceiros na Europa, algumas semanas depois do atentado que tinha acontecido numa igreja em Peshaware, que tinha morto mais de 70 pessoas, e perguntou se algum de nós sabia porque eles tinham atacado aquela igreja e não outra. O alvo, disse ele, foi definido em termos de qual igreja teria mais pessoas nesse dia, para que o número de vítimas fosse o maior possível, e não com base em qual a denominação daquela igreja porque, nas suas palavras “para o nosso inimigo nós somos uma só igreja”.
E isto deixou-me pensativa: se o nosso inimigo, Satanás, nos vê como uma só igreja, porque é que nós, Corpo de Cristo, temos tanta dificuldade em ver-nos também assim?
A unidade do corpo de Cristo não se constrói isoladamente — cresce quando líderes, igrejas e ministérios escolhem caminhar juntos, com confiança e propósito comum.
Dentro do Movimento Lausanne, a Rede de Colaboração existe precisamente para isso: criar pontes entre pessoas, igrejas e iniciativas, promovendo cooperação, escuta e alinhamento em torno da missão de Deus, acima de denominações ou agendas próprias.
Porque a unidade que o mundo observa não nasce de estruturas perfeitas, mas de relações intencionais — e de passos dados em conjunto.


Beatriz Jerónimo
Formada em Ciências Políticas e Relações Internacionais e prestes a concluir um mestrado em Desenvolvimento e Cooperação Internacional.
Trabalha como gestora de projetos numa ONG cristã americana dedicada à tradução da Bíblia, garantindo que a Palavra esteja acessível a todas as pessoas, em todas as línguas.
Faz parte da comunidade da Riverside International Church, em Cascais.
